O trabalhador do Cristo

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Por Umberto Fabbri*

Aquele que trabalha para Jesus muitas vezes não tem ideia da amplitude de sua colaboração, de como sua postura e exemplos podem influenciar e transformar a vida do semelhante.

Quando o Mestre nos orienta a pagar o mal com o bem, a fazer ao próximo o que desejaríamos receber, sem dúvida prega o amor, a boa vontade, a tolerância, que são indispensáveis para a harmonia e a boa convivência. Mas, como em todos os grandes ensinamentos, existem desdobramentos que nem sempre conseguimos alcançar. 

Fazer o bem, auxiliar os que sofrem ou agem de maneira equivocada é trazer a estes corações a possibilidade de progresso pelo aprendizado de outras formas de viver, de enfrentar os problemas, de reagir frente às contrariedades e desafios.

Como uma pessoa violenta, que só receba a violência, poderá conhecer outra forma de comportamento? 

Somente convivendo com os que não têm a violência como norma de conduta poderá aprender a trilhar outros caminhos, por exemplos diferentes. Observando a paciência e a compreensão, aos poucos imprimirá em seu espírito nova realidade que antes não conhecia. 

 Quando pagamos o mal com o bem, da maneira que nos for possível, às vezes basta não retribuí-lo, podemos influenciar de maneira positiva os que não têm noção de que o bem existe.

Praticar o bem é grande compromisso que assumimos quando decidimos servir a Jesus, de maneira a inspirar os que conosco convivem a buscarem desenvolver outras atitudes, mais saudáveis, que lhes tragam benefícios e outro futuro que não seja o do sofrimento. Ensinando por atos, e não só por palavras, que o amor existe e que somos todos merecedores, dele e da felicidade que encontramos quando o praticamos.

Muitos acreditam não terem condições de auxiliar, por se acharem imperfeitos. Entretanto, como poderemos aprender sem praticar? Teriam os espíritos superiores pulado esta etapa de sua evolução? Não foram eles tão ignorantes e simples como fomos ou somos hoje? E como progrediram? Como conquistaram maior capacidade de amar e de sapiência se não pelo próprio esforço e maior dedicação, apesar de suas limitações?

Deus manifesta seu amor também através de nossas mãos, quando, tocados pela necessidade de nossos semelhantes, nos colocamos a ajudar, e a nos preparar para cada vez fazer mais e melhor.

Somos os trabalhadores da última hora, aqueles que receberam o chamado há pouco, mas assim como na parábola, se nos dedicarmos com afinco, receberemos o mesmo pagamento, a mesma moeda; nosso progresso e de nosso semelhante.

Não só dentro da seara espírita, como em todos os campos de atuação de nossas vidas, podemos ser a personificação do amor de Deus na Terra, realizando o bem que nos seja possível, de boa vontade, com desejo sincero de contribuir para a paz e a edificação do Reino de Deus, primeiro em nós e depois nos corações com quem dividimos a existência. Não foi isto o que nos exemplificou o próprio Cristo? 

*Profissional de marketing, Umberto é orador e escritor brasileiro, morando atualmente na Flórida, EUA. Autor de diversos livros espíritas, dentre eles: O traficante (pelo espírito Jair dos Santos) O político (Adalberto Gória) e Bastidores de uma casa espírita (Luiz Carlos), ed. Correio Fraterno.