A inserção do jovem nos setores da casa espírita

Por Stella Segatti*
Em um mundo cada vez mais acelerado, conectado e ao mesmo tempo profundamente carente de sentido, uma pergunta tem ecoado em muitas casas espíritas: como incluir de forma real e significativa os jovens nas atividades?

Essa não é apenas uma inquietação local. Ela mobilizou instituições em todo o estado de São Paulo e ganhou força no trabalho do Grupo Espírita Paulista (GEP), um espaço instituído justamente para promover união, o diálogo e o fortalecimento do movimento espírita.

O GEP é fruto da união e da colaboração entre importantes instituições espíritas do Estado, como a USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, a Feesp – Federação Espírita do Estado de São Paulo, a Aliança Espírita Evangélica e a União Fraternal dos Discípulos de Jesus.

Mais do que um grupo organizador de eventos, ele representa um movimento de aproximação entre casas, ideias e trabalhadores, com o objetivo de refletir, juntos, sobre os desafios atuais da vivência espírita.

Desde sua criação, em 2020, o grupo tem promovido encontros, reunindo centenas de voluntários, que compartilham experiências nas áreas de infância, juventude, mediunidade, assistência social, gestão e comunicação.

O tema sobre a inserção dos jovens nos diversos setores da casa espírita esteve em foco no encontro realizado no dia 26 de abril, no Centro Espírita Seara das Fraternidades, em São Caetano do Sul, SP, quando estiveram presentes cerca de 150 pessoas, vindas de diversas localidades.

A proposição se deu pelo fato de, por muitos anos, a juventude ter sido entendida como um “departamento” específico dentro da casa, percebendo-se na atualidade que mais que ter uma mocidade ativa, a casa espírita precisa se atentar para a integração do jovem em todas as áreas: na assistência social, na comunicação, nos grupos de estudo, na mediunidade, na gestão, no acolhimento.

Durante o encontro ficou evidente que os jovens não querem apenas participar. Eles desejam pertencer, contribuir e encontrar sentido dentro daquilo que vivem. Eles valorizam o diálogo, buscam o propósito e desejam realmente atuar, não apenas através de uma escuta passiva.

As ricas discussões levaram os participantes a concluírem que mais do que adaptarmos ou acolhermos o jovem, precisamos ouvi-los, sabermos quais são suas observações e preposições sobre os diversos setores existentes. Essa troca contribui para que, juntos, jovens e adultos construam um movimento espírita mais sólido.

O Encontro Paulista não se encerrou no dia 26 de abril, ele permanece como um convite para que cada casa reavalie como tem trabalhado este impactante tema, para que cada trabalhador reveja sua forma de acolher e para que cada jovem encontre espaço real de atuação, uma vez que a juventude não é apenas o futuro da casa espírita: ela é o presente que precisa ser incluído agora.

Se o espiritismo nos convida ao constante aprimoramento, não podemos ignorar os que trazem consigo o impulso natural da renovação.

Além da importância do tema discutido, o encontro também demonstrou que a união entre instituições é possível, e mais do que isso, necessária. Talvez a pergunta mais importante não seja como trazer os jovens para a casa espírita, mas que casa espírita estamos oferecendo aos jovens para que eles ali permaneçam.

* Stella Segatti integra a equipe de coordenação da assistência social do GEP, pela USE Regional do Grande ABC.

Ações propostas para efetivar a parceria do jovem trabalhador

Atendimento fraterno: Implantar curso para os jovens terem mais subsídios para a abordagem de outros jovens fora da casa espírita.

Assistência social: Valorizar o empenho e o entusiasmo dos jovens para efetivar as ações voltadas à assistência social da casa. Realizar grande campanha de fortalecimento desse trabalho tão importante para o espiritismo.

Gestão: Implantar o “Jovem Aprendiz”, dando oportunidade para que eles participem das reuniões de diretoria como estagiários.

Comunicação: Oportunizar aos jovens a divulgação nas mídias sociais dos eventos e dos trabalhos da casa, sob a supervisão dos dirigentes.

Estudo: Promover a integração entre o departamento de estudos e a mocidade, para maior proximidade doutrinária e pedagógica desses dois setores da casa.

Evangelização infantil: Implantar o “Jovem Evangelizador”, que será auxiliado por evangelizadores mais experientes para participar da tarefa com as crianças.

Reunião mediúnica: Implantar cursos de mediunidade para o jovem, para que ele possa gradativamente ir se aproximando desse trabalho na casa espírita.