Animismo ou espiritismo?
Por Abel Sidney*
Ernesto Bozzano (1862-1943), italiano nascido em Gênova, é considerado um dos maiores pesquisadores do mundo psíquico, tendo iniciado a publicação de suas 52 obras no início do século 20. Ele participou do mundo acadêmico na condição de professor de filosofia da ciência na Universidade de Turim.
Trouxe importante contribuição à literatura italiana e francesa sobre os fenômenos considerados paranormais. A Wikipédia o considera vinculado simultaneamente ao espiritismo, à metapsíquica, à parapsicologia e à filosofia.
Esteve ligado a importantes sociedades científicas como membro: Sociedade de Pesquisa Psíquica (SPR), Sociedade Americana de Pesquisa Psíquica (ASPR) e Instituto Metapsíquico Internacional (IMI).
Mais de vinte obras de Bozzano foram traduzidas e publicadas no Brasil. Dentre outras, eis algumas que permitem compreender a largueza da sua curiosidade: A crise da morte, Animismo ou espiritismo?, Os enigmas da psicometria, Os animais têm alma?, Pensamento e vontade, Literatura de além-túmulo e Xenoglossia.
Animismo ou espiritismo? é considerada sua obra magna, obra da maturidade, constituindo-se a síntese de mais de 40 anos de pesquisa e observação de fenômenos supranormais.
O seu rigor científico, longamente sedimentado, lhe permitiu responder uma questão fundamental à época: os fenômenos observados em sessões mediúnicas são produzidos pela alma do próprio médium (hipótese animista), ou são manifestações de espíritos desencarnados (hipótese espírita)?
A sua resposta pode ser resumida neste trecho: “o espírito humano que, quando se manifesta em momentos fugazes, durante a existência ‘encarnada’, determina os fenômenos anímicos e, quando se manifesta na condição de ‘desencarnado’ no mundo dos vivos, determina os fenômenos espíritas”.
Bozzano, portanto, afirma que o espírito humano, encarnado ou desencarnado, pensa, sente, se comunica, confirmando as duas dimensões da vida – a física e a espiritual. Os fenômenos anímicos, hoje, são bem estudados e deixaram de ser um obstáculo ao trabalho mediúnico, pois toda manifestação espiritual – seja proveniente do próprio médium em início de atividade, seja recepcionada de uma entidade desencarnada – é sempre respeitável.
Outros pesquisadores, como o brasileiro Herminio C. Miranda, foram fiéis ao seu legado, levando adiante muitas das suas investigações. Que outras pesquisas, dentro do imenso legado de questões a investigar, se aproveitem da dedicação ímpar de Ernesto Bozzano.
* Abel Sidney é escritor, educador, colaborador da causa espírita em Porto Velho e trabalha no Centro Espírita Irmão Jacob. Autor de Lições de um suicida: um estudo do clássico Memórias de um suicida (Ed. Allan Kardec) e coautor de O mistério da cabana (FEB).