Atendimento a espíritos sofredores em reuniões mediúnicas
Por Abel Sidney*
Herminio C. Miranda
Herminio Corrêa de Miranda (1920-2013) foi um dos principais escritores e pesquisadores espíritas brasileiros. Dedicou décadas ao estudo sistemático da mediunidade, reencarnação, regressão de memória e outros fenômenos. A sua abordagem foi marcada pelo rigor investigativo e por incursão em temas diversos, rompendo fronteiras temáticas. Sua escrita se distingue pelo esforço de conciliar a doutrina espírita com informações trazidas do mundo da ciência e da filosofia.
Ao lado dos sólidos conhecimentos teóricos, Herminio se notabilizou pela prática mediúnica, tendo se dedicado por décadas ao diálogo com os espíritos nas reuniões que organizava em sua própria residência. Sua condição de magnetizador e dialogador resultou em obras que relatam vivências, fatos e casos singulares, a exemplo da coleção “Histórias que os espíritos contaram”.
Diálogo com as sombras – teoria e prática (FEB), entre as mais de quatro dezenas de obras publicadas, ocupa um lugar especial, constituindo-se como um tratado amplo e profundo sobre o acolhimento aos espíritos desencarnados em reuniões que denominamos comumente de desobsessão, orientação espiritual ou assistência aos desencarnados.
Diálogo com as sombras – teoria e prática
O foco desta obra é como acolher, consolar e orientar os espíritos sofredores durante o intercâmbio mediúnico realizado em grupos específicos para os fins acima intitulados.
Aprende-se que a mediunidade como exercício nobre deve ser estudada e praticada como fenômeno natural, exigindo preparo intelectual, equilíbrio emocional e, sobretudo, formação ético-moral.
Ao par da descrição das entidades comunicantes, com riqueza de detalhes, é enfocado nesta obra o trabalho do acolhimento mediúnico, que se situa em três pilares humanos: o grupo, os dialogadores e os médiuns. Não esperemos, no entanto, um conjunto de procedimentos, um mero protocolo de atendimento. O aprendizado é multifacetado, pois são mapeadas incontáveis questões que dizem respeito ao que costuma ocorrer durante as reuniões.
Aprende-se, portanto, que o grupo precisa ser pequeno e coeso; que o dialogador não é mestre nem autoridade, mas simples servidor, cuja principal ferramenta não é o argumento, mas o afeto; que os médiuns, por sua vez, são intermediários que devem pautar suas vidas nos sentimentos de acolhimento fraterno e compaixão e nas atitudes de vigilância e humildade.
Em síntese, este livro é um guia em que a técnica mediúnica é concebida como recurso, e a caridade, meio de expressão do amor fraterno, é a finalidade maior durante os diálogos que têm por fim libertar encarnados e desencarnados das teias do mal em meio às tramas das múltiplas encarnações.
* Abel Sidney é escritor, educador, colaborador da causa espírita em Porto Velho e trabalha no Centro Espírita Irmão Jacob. Autor de Lições de um suicida: um estudo do clássico Memórias de um suicida (Allan Kardec) e coautor de O mistério da cabana (FEB).