Estudo reúne relatos de EQM e memórias de vidas passadas
Fazendo parte do programa de pós-graduação em saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, o Núcleo de Pesquisa em Saúde e Espiritualidade (NUPES) já recebeu 220 questionários sobre EQM (experiência de quase-morte) e 428 relatos sobre alegadas memórias de vidas passadas. O trabalho foi iniciado em março de 2019 e tem como objetivo realizar o primeiro estudo acadêmico deste tipo (um levantamento nacional) sobre os dois assuntos no mundo.
Criado em 2006 pelo professor de psiquiatria Alexander Moreira-Almeida, o NUPES reúne alunos e professores de diversas áreas com interesse na exploração científica da espiritualidade e suas relações com a saúde.
Para as duas pesquisas que estão sendo realizadas - “Levantamento nacional de casos sugestivos de reencarnação na população brasileira” e “Perfil das experiências de quase-morte no Brasil - foram feitas solicitações às pessoas que acreditassem possuir memórias de vidas passadas ou que tivessem tido EQM para que participassem da pesquisa relatando suas experiências.
A coleta de novos casos ainda continua para os dois estudos e os pesquisadores já iniciaram as análises estatísticas dos dados recebidos e as entrevistas remotas dos casos considerados mais fortes em evidências. Estrangeiros com residência fixa no Brasil também participam das pesquisas. No levantamento sobre lembranças de supostas vidas passadas, o NUPES recebeu, inclusive, relatos de pessoas da Alemanha, Argentina, Bélgica, França, Irlanda, Portugal e Reino Unido.
Alexander acredita que o levantamento nacional de casos sugestivos de reencarnação poderá contribuir para que muitas outras pesquisas surjam com diferentes objetivos e desenhos metodológicos. “Muito pouco se conhece sobre a relação mente-cérebro e as pessoas que alegam possuir memórias de supostas vidas passadas são um desafio científico para o campo”, comenta.
Nas análises, além dos dados do perfil dos pesquisados e das experiências, também são considerados dados sociodemográficos (idade, sexo, escolaridade etc.), níveis de religiosidade/espiritualidade, níveis de saúde e felicidade, dados relativos às experiências, como a idade em que se manifestaram, fatores desencadeantes e o modo como se deu a manifestação.
Alexander Almeida enfatiza o grande interesse das pessoas em colaborar com as pesquisas. “Elas nos enviam, de forma espontânea, todo tipo de material que possuem ou que produziram a partir de suas experiências: livros, desenhos, fotos, pesquisas documentais.” E conclui: “O estudo das EQMs permitirá uma maior diversidade geográfica e cultural dessas pesquisas, além da possibilidade de uma melhor exploração das variantes transculturais.”.
Para saber mais: www.nupes.ufjf.br